21 de março de 2019 (Uma Nova Chance)


   Hoje, depois de um ano e oito meses, recebi o terceiro pedido de entrevista para uma vaga de emprego. Esta vaga foi pela segunda vez, uma indicação de uma de minhas irmãs, que devido um post criado por minha mãe, desesperada em um grupo de mães no Facebook, pedindo por uma ajuda à sua filha incapaz.
   A vaga na qual fui indicada, possuí remuneração baixa e talvez não tenha nenhuma ligação com minha área de estudo (Administração), mas na situação atual do mercado de trabalho brasileiro, e sendo negra e mulher. O que mais posso querer? Vou poder assinar minha carteira e quem sabe me aposentar aos 62 anos de idade, com talvez um pouco mais que um salário mínimo.
    Quando me formei em agosto de 2017, na segunda melhor universidade privada do sul do Brasil, pensei que fosse demorar uns seis meses para ser contratada para uma vaga que teoricamente seria destinada para o nível médio de escolaridade, mas não foi assim.        Uma vaga com baixa escolaridade não é preenchida por alguém com nível superior de ensino, assim como uma vaga destinada para ensino superior só é qualificada para aqueles com especialização ou mestrado. Então, como posso me reintegrar ao mercado de trabalho, onde não cumpro as exigências de nenhuma das vagas de emprego.
   Minha irmã disse estas palavras, “Nós, temos de começar de baixo. Eu comecei a trabalhar, sofri racismo e ainda sofro, mas estou mostrando minhas competências. Tu acha, que alguém é feliz trabalhando? Vai lá, e mostra tua competência.”. Isso me deixou muito triste com o futuro, pois se uma guria de 20 anos pensa assim, o quê será do futuro dela, quando formar-se no curso escolhido na universidade, já que ela não gosta do que faz.
    Amanhã, irei à entrevista, acreditando que é possível encontrar algo de feliz em uma oportunidade de emprego. Ouvi a frase abaixo em um filme, chamado “Uma Segunda Chance”.
“Um novo dia é a oportunidade de fazer ou aprender algo novo”.

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